vida cachorra, de Mariel Reis
Texto da Orelha, assinado por Bruno Bandido:
Uma galeria de pessoas vira-latas normais. É isso o que você vai encontrar nesses contos de Mariel Reis – onde a barbárie pode ser vista como só mais uma consequência da natureza humana e a loucura é um desvio disfarçado.
Costumo pensar que a única diferença entre o ser normal e o ser louco é que o normal sabe esconder melhor suas bizarrices. Aí é que entra o escritor Mariel em Vida Cachorra. Ele parece ter a manha de inventar histórias pra essas pessoas que a gente vê por aí, dentro de ônibus circulares ou nas filas de uma casa lotérica.
Um vendedor de sapato fetichista, um Papai Noel bandido, um presidiário bígamo, um funcionário correto que, depois de tanta porrada, decide trabalhar a favor de si mesmo. Clichês ambulantes suburbanos capazes, como qualquer um, de amar e perdoar e perder a razão. De tomar alguma decisão momentânea e acabar na editoria policial de um jornal popular.
Curtos e secos e complexos – como a narrativa do escritor, calcada em frases diretas e ritmo ditado por imagens que, por sua vez, são ditadas por ações. Não há marasmo nessa vida cachorra; e se houver, cuidado, ele pode ser um bocado perigoso.
O que me fica na cabeça depois de acabar a leitura, é essa vontade suja que alimenta as relações humanas. É o egoísmo paradoxal que nasce com a gente. Como aquele personagem que é capaz de assassinar alguém pra salvar a vida de um ente querido – e isso também é sujo e isso também é egoísta, mesmo que movido pela compaixão.
Sou capaz de entender um crime, desde que ele seja passional. Se você pensa o mesmo, vai entender as histórias de Mariel Reis. Se não, siga em frente e leia o livro e alguma outra corrente de pensamento vai aparecer. Não há uma única saída e o leitor é quem escolhe o caminho a seguir.
Texto de quarta capa, assinado por Paulo Lins:
Não sei por que o ser humano escolheu viver em sociedade. Talvez seja para o sexo ficar mais fácil e consequentemente para reprodução dessa espécie aí que a gente faz parte. O motivo é bom, mas o problema é que nossos sentimentos, na maioria das vezes, superam a razão. Eu já tenho problemas com meu vizinho e me vem o povo dizer que eu sou globalizado nesse mundo com o lógico abalado com os acontecimentos de tantos desejos sem fim.
Eu acima de qualquer coisa! O meu tudo é o que vale, mesmo que eu não tenha consciência da maioria dos fatos, mesmo que as regras do jogo sejam todas afanadas.
Vida cachorra somos todos nós em qualquer parte do mundo, em qualquer quarto da terra, em qualquer cama. O livro nos vai revelando nós mesmos. Cumprindo a função da Literatura que é a de aguçar a nossa imaginação e tornar fácil o se sentir no lugar do outro com todos os sentimentos nos dados pela História. Sua vida também é cachorra já que fazemos parte disso tudo.
Texto do Prefácio, assinado por João Anzanello Carrascoza:
então. como não sou do reino deste mundo – a literatura cruel –, aqui retratado por mariel reis, posso dizer sem melindres, a delicadeza de lado, com letras minúsculas, sem capitular nem nada, e com a mesma pontuação dele, de propósito transgressora, igual à existência menor de seus personagens: você vai se surpreender. sim, sou um parrésico, é meu dever falar a verdade (a minha, claro!) sobre estes contos de vida cachorra. macondo, pasárgada, nanja? não, brasil mesmo, aqui, agora. o cru e o mal cozido. realidade que late em subúrbios, veredas urbanas do nosso mundo-país. ficção de raiz nelson-rodrigueana, rubemfonsecamente direta, que dalton-trevisanda com as próprias pernas e coisa e tal. vá se preparando que, se falta metáfora, sobram vísceras livro-adentro: no osso é que rói a mó da comédia humana. o grotesco sublima, em ação incisiva, como ponta de faca na pele, caco de vidro na carne. escrita dura, que ruge, lama que emerge de almas miúdas. amor de real interesse. aquilo que somos lá no nosso fundo, negro. a nossa poção podre da maçã. e o estilo? anti-beletrista. o árabe lá com sua adaga, exibindo-a, arabescos no ar. um tiro nele e pronto. adeus, malabarista! assim é a coisa aqui. rude, mas tocante. como
a vida. só aquele que está na outra face, para saber a força de seu avesso. é isso o que encontramos nestas histórias: maldades. e das boas. o que fica? fique de olho neste menino, mariel reis. talento refinado, do lodo ele extrai flor de lótus. é preciso ter sensibilidade para captar o bruto. mariel tem. indiscutível.
Lançamento:
02 de março, às 19h,
na Livraria da Travessa – Ipanema
Rua Visconde de Pirajá, 572 – Ipanema (RJ)
vida cachorra
Mariel Reis
Editora Usina de Letras (Selo Vermelho Marinho) (78 pp., R$ 20,00)
Gumercindo e a galinha garoupa, de Joaquim de Almeida
Release do livro:
Em uma sexta-feira 13, Gumercindo saiu tarde da noite da casa do tio. Sozinho e um tanto amedrontado, percebeu um vulto atrás de si e cuidou logo de se esconder. Quando viu de que se tratava, caiu na gargalhada: era apenas uma pobre galinha, tão ou mais assustada que o menino.
Mas não é que a galinha se afeiçoou a ele? Acompanhou-o até sua casa e logo na manhã seguinte já se aboletava no caminhão e seguia com a família para mais um dia de trabalho na feira, onde Gumercindo e o pai vendiam histórias de cordel e animavam as pessoas cantando emboladas.
Tudo ia bem até o dia em que o delegado do lugar reclamou a galinha dizendo que ela lhe pertencia. Para decidir quem ficaria com a ave, combinou-se então um desafio de repentistas. Gumercindo só não podia imaginar que nesse desafio a galinha acabaria sendo alvo de uma maldição, o que o levaria, junto com toda a sua família, a empreender uma viagem pelo sertão até o oceano.
Através da história de Gumercindo e seu inusitado bicho de estimação, Joaquim de Almeida introduz os jovens leitores no universo do repente. No final do volume, um texto informa sobre as origens e as características dessa tradição cultural e um glossário explica alguns termos do vocabulário sertanejo. As ilustrações de Laurabeatriz se destacam pelo traço e as cores cheios de brasilidade.
Do autor, a Companhia das Letrinhas já publicou José Moçambique e a capoeira e Chico Cambeva no fundo do martelo, também ilustrados por Laurabeatriz.
Lançamento:
26 de fevereiro, às 16h,
na Livraria da Vila – Lorena
Alameda Lorena, 1731 – Lorena. São Paulo/SP. Tel.: 11 3062-1063
Gumercindo e a galinha garoupa
Joaquim de Almeida
Ilustrações de Laurabeatriz
Editora Companhia das Letrinhas (64 pp., R$ 32,50)
Extra do Sobrecapa Literal: Sarau 34 Leituras Íntimas
Notícia Extra do Sobrecapa Literal:
Fabrício Corsaletti e Fabiano Calixto em noite de poesia na Casa de Francisca
No dia 22 de fevereiro, terça-feira, a Editora 34 e a Casa de Francisca abrem a programação 2011 do sarau 34 Leituras Íntimas. Fabrício Corsaletti recebe o também poeta Fabiano Calixto para uma noite de literatura e música. No palco, fragmentos de suas obras e uma seleção de trechos de diversos autores, em roteiro preparado a quatro mãos especialmente para a ocasião. Um bate-papo entre amigos e parceiros literários, com espaço para o público conhecer mais sobre as referências e a produção intelectual de cada um dos convidados.
Extra do Sobrecapa Literal: 1º Seminário Disseminação de Leitura Literária
Notícia Extra do Sobrecapa Literal:
No dia 24/02 será realizado o 1º Seminário do Pólo de Leitura ‘Sou de Minas, uai!’. Dentro desse seminário, além da discussão sobre a importância da leitura e uma abordagem sobre bibliotecas comunitárias, serão ministradas várias oficinas interessantes, inclusive oficina sobre a importância da ilustração com os ilustradores Nelson Cruz e Marilda Castanha. As oficinas são gratuitas e com certificado de participação (bacana pra quem precisa de horas extracurriculares na faculdade).
Durante o seminário, os participantes/inscritos receberão café da manhã e lanche. O almoço é por conta do inscrito (no local será distribuído nomes de três restaurantes próximos).
As inscrições e demais informações para as oficinas devem ser feitas no blog: www.polosoudeminasuai.blogspot.com. O informativo está abaixo.
Mudança de títulos nas seções do Sobrecapa Literal
Aviso que recebi um e-mail alertando que os títulos das seções “Com a palavra, o leitor” e “Com a palavra, o escritor” eram iguais aos subtítulos da coleção de Ieda de Oliveira.
Os títulos do Sobrecapa Literal não foram criados com o intuito de copiar os subtítulos já existentes. Foi apenas uma coincidência.
Apesar de pesquisar na Internet e perceber que existem vários projetos e outras iniciativas que utilizam o mesmo nome, para evitar problemas, fiz a alteração dos títulos das seções para “Vitrine do Leitor” e “O Escritor em Foco”.
Assim, o espírito de divulgação e incentivo da literatura nacional continua o mesmo. Mudamos apenas o nome das colunas.
Ana Cristina Melo
Editora do Jornal Sobrecapa Literal
Na rua da Aquarela, de Gabriella Mancini
Release da obra:
Clara via o mundo em amarelo. Beto, em azul. Até que, na rua da Aquarela, o caminho amarelo de Clara a levou ao azul do Beto. Desse encontro, muita coisa mudou: começaram a ver o mundo com outros olhos. Juntos, se encantaram com o universo que criaram, envolvido em novas cores, que não era só azul nem amarelo.
Na rua da Aquarela, da jornalista Gabriella Mancini, é uma publicação do selo Girafinha, da Editora Arte Paubrasil. Gabriella nos conta que “o livro surgiu da vontade de celebrar os encontros que acontecem na nossa vida (seja com amigo, namorado, parente) e que nos modificam. A partir dessas parcerias, pinta-se um novo mundo. Um lugar que só existe para essas duas pessoas, e apenas quando estão juntas”.
Sobre a autora:
Gabriella Mancini nasceu em Belo Horizonte, em 1979. Desde que aprendeu a escrever, tem a mania de inventar livros só pra ela. Na rua da Aquarela é o primeiro que inventa para publicar. Para estar perto das crianças, é roteirista para cinema e TV, professora de musicalização e jornalista da Folhinha (Folha de S. Paulo). Acha uma delícia caminhar pela rua da Aquarela com Clara e Beto, e agora com seus jovens leitores. Site: www.gabriellamancini.com.br
Sobre a ilustradora:
Vera Andrade é ilustradora, professora de artes plásticas e designer gráfica. Já ilustrou dezenas de livros e é autora de um deles: Shortestórias – histórias curtinhas ou de shorts. Adora ler, escrever, desenhar e pintar e se sente muito feliz por poder usar tudo isso na sua profissão. Segundo Vera, “foi muito gostoso ler e ilustrar essa poesia cheia de imagens e sensibilidade”.
Na rua da Aquarela
Gabriella Mancini
Ilustrações de Vera Andrade
Editora Arte Pau Brasil (36 pp., R$ 24,00)
Portal Fahrenheit, org. de Nelson de Oliveira
O Projeto Portal é uma revista de contos de ficção científica com periodicidade semestral, editada no sistema de cooperativa. A pequena tiragem — duzentos exemplares de cada número — é paga pelos participantes e os exemplares são divididos entre eles.
O objetivo do Projeto Portal é ter uma publicação de altíssima qualidade literária, que vire referência entre os escritores e os estudiosos do fandom, e também entre os escritores e os estudiosos do mainstream. Ou seja, planejamos uma revista para a intelligentsia, que vire um marco na FC nacional e na literatura em geral.
Cada número da revista homenageia, no título, uma obra célebre do gênero: Portal Solaris, Portal Neuromancer, Portal Stalker, Portal Fundação, Portal 2001 e Portal Fahrenheit.
Idealização: Nelson de Oliveira
Projeto gráfico e diagramação: Teo Adorno
Revisão: Mirtes Leal e Ivan Hegenberg
Impressão: LGE Editora
Edição 1 do Sobrecapa Literal
Hoje nasce a primeira edição do Jornal Virtual do Sobrecapa – o Jornal Sobrecapa Literal.
As novidades são muitas.
Para conhecer todas os detalhes e acessar a 1ª edição do jornal, clique no link: http://sobrecapa.wordpress.com/sobrecapa-literal/.
Divulguem, pois esse jornal é o nosso cantinho informal para falar de literatura!
Boa leitura!
O Caderno de Liliana, de Livia Garcia-Roza
Esperar por um novo livro de Livia Garcia-Roza é sempre um grande prazer e uma grande expectativa. Transitando pelo gênero de ficção adulta ou infantojuvenil, Livia sempre nos encanta com uma prosa inteligente, de fino humor e de grande profundidade.
E não poderia ser diferente com mais esse livro, O Caderno de Liliana, a ser lançado pela Companhia das Letrinhas.
Release do livro:
Liliana não entende por que a mãe não vai mais voltar para casa. E por isso a menina se põe a escrever. Contar sua rotina é uma forma de continuar conversando com a mãe. Palavra atrás de palavra, com a leveza e a sabedoria que só as crianças têm, Liliana vai aprender a dizer o que sente e a descobrir como dar sentido a sua tristeza, suas alegrias e sua maneira de ver o mundo.
Sem a mãe, a casa de Liliana ficou enorme e virou uma grande bagunça. Roque e Peu, os irmãos da menina, não param de aprontar. O pai não tem tempo para os filhos. A tia e a avó não a escutam. E Jacyra, a empregada, está sempre ocupada, fazendo faxina ou lavando roupa.
Liliana descobre que viver sem a mãe é “horrível” e que tem de lidar com a falta dela. Para superar a tristeza, o ciúme e a raiva, a menina se distrai com as visitas da avó, com a barrigona de grávida da empregada Jacyra, faz o batizado da boneca Shirley e, em seu caderno, inicia um diálogo com a mãe. Por meio dessa “conversa”, a menina vai descobrir por si mesma como elaborar essa ausência e deixar de ser uma “folhinha ao vento”.
É por meio da vida de todo dia, da fala e da escrita a um só tempo infantil, espontânea e literária, que se constrói esta narrativa sobre o aprendizado do crescimento, a experiência da perda e a reorganização dos afetos. Numa história sensível e pontuada de humor, a ficção de Livia Garcia-Roza apresenta-se em sua melhor forma. As palavras se sucedem em ritmo acelerado e vão aos poucos construindo um relato ao mesmo tempo leve e reflexivo sobre a perda.
Lançamento:
O livro estará disponível nas livrarias a partir de 09 de fevereiro.
Mais…
- Leia perfil da autora aqui no Sobrecapa;
- Leia entrevista da Livia ao José Castello, no Paiol Literário, promovido pelo Jornal Rascunho;
- Acompanhe a autora no Twitter.
O Caderno de Liliana
Livia Garcia-Roza
Ilustrações de Taline Schubach
Editora Companhia das Letrinhas (256 pp., R$ 44,00)
Leia um trecho do livro:
“Uma casa sem mãe é horrível, parece que está apagada, o silêncio é muito, tenho até medo de falar isso, fico toda arrepiada, mas é assim que ela está. Uma vez, quando a mãe da minha amiga sumiu, cobriram a casa dela com um pano preto e apagaram as luzes. Nunca vai acontecer isso aqui, né? Volta, mãe!!”














